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São Josemaria, fundador do Opus Dei – que foi também o promotor e o primeiro Grão Chanceler da Universidade de Navarra – chamava a atenção sobre o perigo de descuidar o que é importante para atender logo as urgências. Insistia – e assim o praticava – em que é necessário estudar bem os assuntos, dedicando todo o tempo que cada um requer, nem mais, nem menos. A precipitação não é diligência; nem o adiamento, prudência. Para prevenir o nervosismo e as pressas, que levam facilmente a decidir antes de se ter ponderado todos os dados relevantes, costumava dizer: “o urgente pode esperar, o muito urgente deve esperar”. A necessária rapidez, a agilidade, é fruto do trabalho intenso e constante, bem como do acompanhamento das decisões, para ir cumprindo as etapas, sem deixar que os assuntos esmoreçam.

Todas essas condições de um bom trabalho de direção cumprem-se mais facilmente se o governo é colegial, como está estabelecido no Opus Dei, por disposição prudente do fundador. Acerta-se mais, e se procede com mais agilidade, se várias pessoas estudam a mesma questão. A diligência não consiste em prescindir de alguém que deve contribuir com a sua opinião, mas em não deixar estagnar os assuntos (“fazer charcos”, dizia São Josemaria), isto é, não reter os assuntos, mas examiná-los e dar-lhes prosseguimento, para que outros o vejam e todos possam contribuir para a decisão comum.

Trabalhar assim torna mais fácil também avaliar o importante e o urgente. Eu diria que um critério básico a esse respeito é o seguinte: o mais importante é aquilo que mais diretamente afeta as pessoas. A organização tem, sem dúvida, a sua relevância, mas é secundária: em primeiro lugar estão as pessoas. E, para um cristão coerente, que recebeu e valoriza o imenso dom da fé, esse serviço prioritário às pessoas é também serviço a Deus.

Quanto à forma de harmonizar a diversidade cultural e o objetivo comum na prelazia do Opus Dei, a chave está em fomentar a liberdade. O objetivo principal do Opus Dei é formar os seus membros, para que cada um atue, livre e responsavelmente, no lugar e na situação que lhes corresponde, procurando encarnar a sua fé cristã naquilo que faz. No Opus Dei ninguém lhes dirá que solução devem adotar nos assuntos profissionais, sociais, políticos, etc.: ele ou ela terão que decidir de acordo com a sua consciência, conforme, naturalmente, com a sua formação profissional específica e o seu modo pessoal de ser e de pensar. O pluralismo que daí resulta não é nenhum caos: a harmonia surge da própria diversidade polifônica, pela qual cada um contribui para a sinfonia do conjunto, para a tarefa de evangelização. É, no fundo, a mesma unidade “católica” que existe na Igreja, lar comum para todos os povos.

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